sábado, 22 de agosto de 2015

Ao meu aluno preferido!


Não estudamos juntos, mas conheci você na escola... escondido no meio de muitos outros alunos meus, estava você lá, só na espreita! Lembro em detalhes que precisou trancar o curso e viajar pra Índia, onde ficaria por três ou quatro meses. No dia em que a turma toda combinou uma balada pra sua despedida, uma secretária da escola me disse: "Nossa, parece que viu passarinho verde hoje!". Mas eu mesma não percebi que já estava na sua! Saímos, nos divertimos todos num barzinho em São Caetano e depois você se foi! Não antes de me entregar, todo orgulhoso, um cartão de visita que sua empresa tinha feito em inglês pra você levar. Guardei na carteira também orgulhosa do aluno que iria desbravar o mundo com aquele inglês que eu de alguma forma tinha ajudado a conquistar.
Meses depois você voltou. Era julho, quando a turma estava de férias por duas semanas. Você queria marcar outra balada com todo mundo pra mostrar as fotos da viagem. Sem titubear, combinamos para a sexta-feira da semana seguinte, quando o pessoal voltaria pro curso. Deveria. Acho que Papai do Céu deu um jeitinho pra que todos resolvessem matar aula, rsrsrs. Aí fomos nós dois no seu carro, porque, afinal, pra que usar dois? Entrei e coloquei minha pasta cheia de provas a serem corrigidas atrás do banco. Um movimento ingenuamente perigoso. Será que meu subconsciente me pregou uma peça?
Claro que com minha cabeça de pudim larguei a tal pasta quando saí do seu carro e fui pro meu pra ir pra casa. Ao chegar lá, saí do carro e peguei minha bolsa e procurei em vão pela pasta... e agora, como fazer, já que deveria levar as provas corrigidas na segunda-feira? Procurei freneticamente o telefone de alguém da turma na minha agenda, quando lembrei daquele cartão que você tinha me entregue antes da viagem, mas que só tinha o telefone da empresa. Aí lembrei também que você havia me dito que naquele sábado, excepcionalmente, iria trabalhar até o meio-dia. Deus mexeu cada pecinha daquele quebra-cabeça.
Ao acordar, fui fazer meus exames bucais para a documentação do aparelho que iria usar e te liguei de lá da clínica. Sairia com fome, já que estava em jejum para os exames. E você também, já que estava trabalhando desde cedo. Tudo colaborando para um bom almoço juntos. Nos encontramos e fomos pra São Paulo procurar o Johnny Rockets para um bom burger. Como de costume, achei que sabia o caminho e falei: "estacione aqui que é na próxima esquina!". Mas não era. Andamos por mais de hora pelos Jardins procurando o lugar, que não havia saído de lá, mas que eu já não achava.
Decidimos pegar o carro e ir pro Friday's, lembra? Almoçamos, ainda na maior amizade. O tempo havia virado e na hora de esperar o manobrista trazer o carro, resolvi dar um golpe pra saber qual era o lance e falei: "Nossa, como esfriou! Tô morrendo de frio!" Aí você me abraçou pra me esquentar e pensei... ah, aí tem coisa!
Você me perguntou se eu estava livre no domingo, para pegarmos um cinema. Eu tinha as provas pra corrigir, mas claro que estava livre! Foram as provas mais rapidamente corrigidas da história da humanidade. E devo ter dado 10 pra todo mundo!!!
Nos encontramos no Shopping Paulista. Assistimos ao filme Cidade dos Anjos e cuja trilha sonora depois estaria na nossa cerimônia de casamento, andamos por horas e revelamos mais fotos da sua viagem. Mas foi apenas na hora de ir embora, no estacionamento, que você resolveu, finalmente, me dar um beijo. Lembro até hoje da sensação do corpo amolecendo... o aluno atacou e seduziu a professorinha ingênua e indefesa! E no estacionamento do shopping!
Me lembro depois contando pro Rick sobre nosso namoro e como isso não interferira na sua condição de aluno lá na escola.
Saímos mais algumas vezes quando fui apresentada aos seus amigos como sua namorada! Tinha sido promovida!
Depois de pouco mais de um ano juntos, acabamos terminando e você foi pra mais uma daquelas viagens malucas, dessa vez pra Turquia. Ia, passava meses lá e voltava. E quando estava lá me procurava por e-mail. Sempre dava um jeito de tirar a casquinha do machucado da separação quando eu achava que o dodói tava sarando. Quando voltava, ficava quietinho, na sua, e não me procurava. Até que um dia "te dei um ultimato" e saímos pra conversar. Fomos à pizzaria Sala Vip, lembra? Quando te perguntei o que você realmente queria em relação a nós dois você desconversou, falando que não sabia ao certo. Voltamos pro seu apartamento, onde estava meu carro e, quando falei que ia embora, você não me deixou e me deu outro daquele beijo... aí já era!
Essa história toda começou em julho de 1998, há 17 anos! Anos de muitas alegrias, algumas lágrimas e lutas, mas muita felicidade! Agradeço sempre a Deus por ter me presenteado com um marido tão companheiro, compreensivo e que não foge das suas responsabilidades. Podia ser mais romântico, mas quem é perfeito, não é? kkkkkkkkk
Amo você profundamente e luto a cada dia para vivermos muitos outros 17 anos juntos!

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