O título, roubado de um seriado de TV, vem bem a calhar quando o assunto é uma fase bem complicada da minha vida... daquelas que te obrigam a crescer e amadurecer rapidamente e "antes da hora".
Com o divórcio dos meus pais aos 10 anos de idade, nos mudamos de Ourinhos para o Rio de Janeiro, onde vivia boa parte da família da minha mãe.
Lá, fomos morar num apartamento de um condomínio na Barra da Tijuca, onde ficamos cerca de 1 ano e meio. Foi uma fase muito difícil, de adaptação a muitas coisas novas. Tinha acabado a moleza! Minha mãe saía cedo para trabalhar e voltava tarde da noite pra casa, o que me obrigou a aprender a fazer muitas coisas - tinha que esquentar ou preparar minha comida, dar conta da escola, que ficava em outro condomínio, longe - tinha que pegar ônibus, inclusive sozinha depois de um tempo. A despensa da casa não tinha muita variedade, mas graças a Deus nada nunca nos faltou.
Depois disso, precisamos entregar o apartamento e nos mudar. Foi quando começou nossa via sacra, fase da mala na cabeça. Morávamos cada período na casa de algum parente: casa da tia Beth e da tia Meena. Durante esta última, minha mãe morava com outros parentes, então nos víamos apenas aos finais de semana. Era cada ano escolar numa escola diferente.
Na 6ª série, em Laranjeiras, na casa da tia Beth, lembro que tive que usar kichute e odiava, achava que era tênis de menino - me sentia muito feia com ele. Nessa escola lembro que sempre serviam sanduíche de bolacha cream cracker com goiabada e suquinho de caixinha. Adorava. Uma vez, ao entrar no ônibus (pela porta da frente, gratuitamente, por ser aluno de escola pública), o motorista deu uma arrancada e saí rolando no asfalto. Ainda bem que não machuquei muito. Também foi nesse ano que minha mãe organizou uma festinha de aniversário pra família, com lanchinhos de atum e tals. Ninguém foi... foi a pior festa de aniversário da minha vida, me traumatizou por muitos anos. Mas também lembro, e ainda tenho, um lindo cartão de aniversário que a Tata desenhou todo pra mim! Hoje, faço questão de comemorar sempre! Adorava brincar com minha prima Paty - eram muitas brincadeiras, mas uma que me lembro bem era quando penteávamos o cabelo de baixo pra cima e fazíamos cabelo de Gal Costa! Também foi lá que abri um rombo no joelho, balançando de barriga pra baixo num balanço de pneu.
Na 7ª série eu estudava na Barra, de novo, mas não me lembro bem se já morava na casa da tia Meena, mas acho que sim. Às vezes ficava na casa da amiga mãe, onde ela morava e era bem pertinho da escola. Foi nesse ano que minha classe ganhou uma gincana da escola pela decoração e arrecadação de prendar pra festa junina e fomos fazer um passeio num clube no final do ano. Lá, uma outra aluna roubou uma prova de matemática e compartilhou com todo mundo! Todos foram bem na prova, exceto a menina que roubou... vai entender!
Na 8ª série, estudava em Botafogo e ainda morava na Barra, aí sim com certeza na casa da tia Meena e ia com o ônibus fretado do condomínio pra escola. O condomínio, Nova Ipanema, era muito legal - eu usava a piscina, ia à praia, ao Barra Shopping - tudo bem pertinho. Pra ir à praia, usava a balsa do condomínio pra atravessar uma lagoa que havia no caminho. Depois era só atravessar a avenida.
Já no primeiro ano do Segundo Grau (atual Ensino Médio), estudando já na Gávea, Colégio André Maurois, minha avó precisou vender nosso sítio do pica pau amarelo e comprou um apartamento em Laranjeiras, onde fomos morar, eu e minha mãe, minha avó e a querida e saudosa Babá, minha vozinha do coração. Ficamos morando lá um tempo, depois nós duas e Edgar alugamos um apartamento ali perto, onde moramos até o ano de 1991, quando terminei a escola e eu e minha mãe nos mudamos para os EUA, para morar com o Rafael.
Foi também no 1º ano que decido fazer ovos de Páscoa pra vender, Já sabia fazer bombom caseiro e ovos, havia aprendido com minha mãe há um tempo. Fazia tudo, todos os recheios caseiros, tudo de primeira qualidade, deliciosos. Sabores como coco, doce de leite com ameixa, cereja com licor, crocante, flocos de arroz... fazia tudo, até o crocante! Dava um trabalhão, mas valia a pena o sabor. Bem, comecei a vender e chamei minha prima Paty pra vender pra mim na repartição onde minha tia trabalhava, a extinta LBA. Ela vendeu uma tonelada! Havia ovo espalhado pela casa toda! No calor do Rio de Janeiro, casa quente, sem ar condicionado e com as janelas fechadas por causa do trânsito intenso da rua logo na janela... já nos últimos dias de produção, precisei chamar a super Tata pra me ajudar e já puxava vômito com o cheiro do chocolate, kkk. Mas o enjoo passou rápido e logo voltei a ser chocólatra! Deu pra ganhar um dinheirinho, que veio bem à calhar pra pagar os livros escolares daquele ano!
Ah, não posso esquecer da minha ralação durante a 8ª série, estudando meses e com aulas particulares de Português e Matemática para entrar numa escola federal de Segundo Grau, que era excelente. Tava craque nas matérias! Fiz a prova de Matemática com o pé nas costas, sabia tudo muito bem! Não passei... errei contas do começo ao fim, do tipo 2+2=5... o que o nervosismo faz com uma pessoa. Chorei muito, foi uma grande decepção.
Durante muitos desses anos frequentava uma igreja onde fiz muitos amigos. Dormia na casa de umas amigas, íamos à pizzaria de vez em quando ou jogávamos vôlei de praia no Leme sexta à noite. Também fazíamos muitos retiros nos feriados. Muita coisa legal. Fazia parte da equipe de escolinha infantil da igreja e por vezes ficava com as crianças durante os cultos. Adorava preparar as aulas. Acho que já era um prenúncio! Aliás, no 1º ano falei pra minha mãe que queria mudar de escola e fazer Normal (no Rio, era o Segundo Grau voltado para a formação de professores). Ao ser indagada por ela para que público eu pretendia lecionar, falei que era pra crianças - foi quando ela imediatamente negou meu pedido, alegando que professor infantil morria de fome! rsrsrs Se ainda fosse para trabalhar em faculdades... bem, não fui. Mas o destino se encarregou de acertar o meu caminho depois, rsrsrs.
Foi uma fase muito difícil essa do Rio de Janeiro, mas claro com muitas coisas legais também! Ralei muito, aprendi muito, me diverti muito, amadureci, virei gente!
Este blog é meu canal de divulgação das minhas artes, que podem ser de várias naturezas... as DELÍCIAS, que são embalagens exclusivas de brigadeiro gourmet, os BREGUETES: lembrancinhas confeccionadas em EVA e/ou material reciclável, minhas crônicas, que se dividem em gerais e sobre a minha convivência com a Hipertensão Pulmonar, além da culinária, com receitas e histórias dos meus momentos gourmet em casa. Se alguma coisa te interessou, entre em contato comigo!
Minha amiga, vc sempre GUERREIRA!!!!!!
ResponderExcluirObrigada pelo carinho, flor!
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